A dança como profissão

 21/03/2018

Duas grandes bailarinas e professoras de danças árabes falam sobre a trajetória para se tornarem profissionais, as dificuldades e como se preparam para garantir um futuro mais tranquilo na aposentadoria.

A motivação e a busca pelo conhecimento são essenciais para se manter no mercado para quem quer ser um verdadeiro profissional. Segundo a bailarina, coreógrafa e professora de danças árabes Najwa Zaidan, a profissão requer muita dedicação e não é nada fácil.

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Najwa Zaidan – Foto: jay Andreotti

Najwa começou a estudar dança em 1998, e desde 2000 atua profissionalmente, como bailarina e professora de danças árabes, apesar de ter se dedicado a outras atividades paralelas, já que também é formada em Educação Física e Administração. Mas foi em 2007 que a bailarina resolveu se dedicar 100% a dança. “Eu estava ganhando mais com a dança do que com o trabalho formal. Então desde 2007 eu montei a minha companhia de dança, que começou em casa, e depois eu consegui alugar um espaço e mantenho o estúdio até hoje. Desde então sobrevivo da dança, administro meu estúdio sozinha, onde mantenho cerca de 15 turmas de dança do ventre”. Diz.

Foi assim, se empenhando, que ela própria começou sua trajetória profissional. “Então hoje eu acredito que tudo que eu plantei eu estou colhendo, e é uma vida que não é muito fácil, o tempo todo tenho que estar fazendo meu marketing, tenho que estar estudando, renovando, criando. Eu tenho que lutar dia e noite pra me manter na ativa”.

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Vivian Gimenes -Foto: jay Andreotti

Vivian Gimenez, que também é bailarina e professora de danças árabes, iniciou seus estudos na dança aos 6 anos de idade, diz que sempre foi sonhadora e que almejou muito obter seu sucesso na profissão, no entanto, tudo que vem alcançando é mérito de muito trabalho e dedicação e e por isso nunca pára de estudar “Me formei como professora em 2010 e continuo meus estudos com grandes profissionais do meio árabe através de workshops e aulas regulares”. Diz Vivi.

Como se preparar para o futuro

Para a Najwa, a bailarina que trabalha como autônoma, deve se preocupar em pagar uma previdência, seja pública ou privada, assim que começar a atuar profissionalmente. Alerta também que devem legalizar o seu próprio negócio, caso optar por montar uma escola de danças. Complementa que não acredita que todos esses procedimentos legais sejam garantia de uma aposentadoria perfeita. “Sabemos que o teto da aposentadoria no Brasil é muito baixo, pois a maioria das pessoas acabam se aposentando com um salário mínimo, terá que fazer um bom plano de previdência para manter o padrão de vida, pois dificilmente a pessoa consegue sobreviver somente com a aposentadoria”. Comenta.

Já Vivian Gimenes, optou por iniciar a emissão do RPA (Recibo de Pagamento a Autônomo) desde que começou a dar aulas de dança em uma academia, e pouco tempo depois optou pelo MEI (Micro Empreendedor individual) para aproveitar de todos os benefícios previdenciários de quem se inscreve nesta categoria empresarial.

As dificuldades da profissão

Segundo a coreógrafa, a profissão dedicada a dança, assim como tantas outras, depende da boa vontade para alcançar seu objetivo. E ela acredita que hoje o mercado para a bailarinos e professores de dança está muito restrito. Na sua opinião se o profissional atua há cerca de 15, 20 anos, e se dedicar bastante consegue obter conquistas básicas, como uma aquisição de um imóvel. Mas nem sempre isso é possível, nem sempre o profissional consegue juntar muito dinheiro e, em alguns casos, pode encontrar dificuldades. “Hoje em dia é muito difícil, a não ser que você seja uma super profissional, viaje o mundo inteiro, aí você consegue comprar um sútil apartamento para que você possa morar. Mas tudo depende da vida da pessoa, se ela mora sozinha, se ela tem os pais que ajudam, se a renda dela é comprometida com outras coisas. Se mora com os pais, obviamente que é mais fácil, caso contrário, é muito mais difícil, diz Najwa.

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Para Vivian Gimenez, quem trabalha com artes talvez tenha que se dedicar ainda mais para realizar algumas conquistas e revela que já conseguiu conquistar seu imóvel antes dos 30 anos. “Acho que a hora que você decidir quero uma casa é a hora de sentar traçar um plano e trabalhar. Não sou a primeira a falar sobre isso, e não serei a última mas quero dizer que a desvalorização do mercado às vezes complica a situação de quem vive da arte, a diferença de cachês oferecidos para um trabalho muda muito e dificilmente respeita uma média. Aliás aproveito para dizer: Meninas valorizem o trabalho de vocês, é assim que se conquista algo na vida”. Completa.

Fase mais produtiva da Bailarina

Segundo Vivian, para se manter na ativa como bailarina tudo vai depender do seu esforço. “Eu tive meu primeiro momento produtivo aos 27 anos e achei que era o meu máximo. Errei feio (risos), hoje estou vivendo mais um momento produtivo, então mais uma vez tudo depende de você, do seu esforço. É incontestável que uma bailarina com muitos anos de carreira já não cometa os mesmos erros e por isso tem mais tendências a obter um melhor rendimento profissional. Mas como diz minha mãe: seu destino quem faz é você, se está no seu coração também está no coração de Deus então vá em frente,diz.

Para Najwa, a fase mais produtiva da bailarina, é a fase mais Madura. “No início a bailarina começa a ser conhecida, está plantando, mas vai colher mesmo depois de algum tempo, então eu acho que a bailarina começa a ter reconhecimento depois de uns 7 anos de profissão, e pode durar 20, 25 anos, enquanto o corpo dela aguentar e enquanto procurarem pelo seu trabalho”. Completa.

Mas para isso, diz que a profissional precisa dedicar-se e estar sempre investindo em conhecimento e construção da sua imagem, para não cair no esquecimento.

Najwa e Vivian, falam com muito amor da profissão que atuam e com certeza colhem os frutos de tanto empenho e dedicação. São inspirações para muitas que estão iniciando e planejam tornarem-se grandes profissionais da dança.

Para buscar mais informações sobre o MEI, acesse o link abaixo:

http://www.portaldoempreendedor.gov.br/duvidas-frequentes/5-previdencia-e-demais-beneficios

Por Renata Santana