“A gente percebe que a vida é curta e imprevisível e passa a aproveitá-la muito mais”, diz jovem bailarina que enfrentou o câncer aos 23 anos.

Bia Chacon, é bailarina e professora de danças árabes, ela fala sobre trabalho, preconceito e como a dança a auxilia no tratamento contra o câncer. A bailarina ainda conta o que mudou em sua vida após receber o diagnóstico.

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Bia Chacon – Foto: Jay Andreotti

Quando recebeu o diagnóstico de câncer de mama, foi uma supresa para todos, tanto para Bia, quanto para os familiares e médicos, já que não tinham outros casos na família, ou qualquer outro sintoma típico da doença. Bia sempre teve uma vida saudável, praticava atividades físicas e como ela mesmo diz, nunca imaginaria que pudesse acontecer com ela.

Bia diz que descobriu 4 tumores, sendo que o primeiro foi o câncer de mama, e teve uma das mamas afetada por um carcinoma in situ, que se manifestava como se fossem pequenos grãos espalhados por todo o seio, mas que não eram notados no exame clínico ou mesmo na ultrassonografia, o que levou à demora no diagnóstico.

Somente 7 meses depois dos primeiros sinais em seu corpo, Bia realizou uma mamografia, e a partir de então recebeu o diagnóstico da doença, que inicialmente era tratada pelos médicos como alergia. Mas foi o segundo câncer, chamado de Doença de Paget, que levou ao descobrimento do carcinoma. A bailarina optou pela retirada das duas mamas, pois segundo os médicos haviam riscos de a outra ser afetada pelo câncer. Ela ainda alerta o quanto é importante o autoexame entre outras prevenções, pois quanto antes for realizado o diagnóstico, há mais chances de cura.

Bia fez todo o tratamento, até que em maio do ano passado, recebeu as próteses mamárias, porém, cinco dias depois de receber as próteses, sofreu uma convulsão. E descobriu um novo câncer no cérebro, a cirurgia foi feita rapidamente. Pouco tempo depois, ocorreu a segunda intervenção na cabeça para retirar outro tumor que foi encontrado, esse benigno. A bailarina continua o tratamento e conta que tudo o que passou serviu para enxergar a vida de uma maneira mais positiva. Recentemente o tumor da mama voltou e Bia fez uma nova cirurgia, mas se recupera bem e voltou a dar aulas.

Todos esses acontecimentos auxiliaram para mudar um pouco a rotina da Bia, mas ela continua forte e esbajando leveza e simpatia, com sua dança e com sua beleza. “Eu agradeço por contar minha história e ajudar a alertar outras pessoas”, diz a bailarina. Acompanhe abaixo um pouco mais da conversa com Bia Chacon.

Pacientes oncológicos, via de regra, tendem a parar de trabalhar em determinado momento do tratamento. Isso aconteceu com você?

Sim. Além da dança, eu trabalho em um escritório. Nos dois trabalhos eu tive de parar, tanto por conta do repouso entre as cirurgias que fiz, quanto para a radioterapia que eram todos os dias e agora, com a quimioterapia, que provoca, muitas vezes um mal estar. Eu estou afastada do escritório, mas não parei de dançar. Dou poucas aulas dentro do meu limite, pois a dança me ajuda no tratamento.

Em algumas empresas ou determinadas funções, alguns pacientes oncológicos, sofrem preconceito. Você enfrentou algum tipo de preconceito, na área em que atua, sendo o mercado da dança? O que mudou para você?

Não, muito pelo contrário. Recebo todos os dias muitas mensagens de admiração de pessoas e, inclusive, grandes nomes da dança. Com isso meu trabalho ganhou mais visibilidade.

Ainda sobre preconceito, se chegou a passar por isso, você encontrou alguma forma de lidar melhor com esta situação?

Eu não cheguei a passar por isso, mas acredito que se eu enfrentei tudo isso, o preconceito seria o menor dos problemas.

Você continua irradiante dançando, acredita que atuar como professora e bailarina aumentou de certa forma a sua autoestima, se é que um dia ela diminuiu durante o tratamento?

Com certeza. Durante o tratamento oncológico o nosso corpo passa por diversas mudanças e isso faz com que nossa autoestima fique lá embaixo. A dança, como eu disse, me ajuda no tratamento de diversas formas. Uma delas é o aumento da autoestima, pois a dança do ventre trabalha todo o lado feminino que por conta dos problemas que a gente enfrenta, fica um pouco de lado durante esse período.

Imagino que tenha sido um momento difícil na sua vida, quando descobriu um diagnóstico de câncer. Muitas pessoas dizem que são mais felizes após o câncer, por mais estranho que pareça ouvir isso. Você também tem essa visão? Qual seu maior aprendizado?

Eu tenho a mesma visão. Hoje dou muito mais valor a vida, a familia e as coisas que eu amo. A gente percebe que a vida é curta e imprevisível e passa a aproveitá-la muito mais. Além de tudo isso, descobre uma força que não sabia que tinha e aprendi tantas outras coisas que nem dá pra mensurar. O minha maior lição com tudo isso foi aprender a não reclamar dos meus problemas e enxergar a vida de forma mais positiva. Pois às vezes a gente reclama de barriga cheia, e quando perdemos o que temos é que passamos a dar o devido valor.

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Bia Chacon – Foto: Jay Andreotti
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Bia Chacon – Foto: Jay Andreotti