Daiane Vacaro relembra momentos do início da sua carreira como Belly Dancer.

21/03/2018

A bailarina fala sobre sua escolha em viver da dança do ventre  fora do Brasil e dos altos e baixos que já viveu no exterior. Entre eles a experiência que viveu com Câncer logo no início da sua carreira. Confira na entrevista a seguir.

Ela poderia ser uma bela candidata a Miss, dona de uma beleza angelical e um corpo escultural, Daiane é uma Belly Dancer, ou dançarina do ventre se preferir, que atua profissionalmente há 12 anos, e esbanja simpatia por onde passa.

A trajetória como bailarina de dança do ventre no Brasil, não foi muito longa para Daiane, ela iniciou seus estudos na escola de danças da Nadima Murad e chegou a fazer parte de um grupo de shows em Porto Alegre, sua cidade natal. Abandonou o curso de Jornalismo e aos 18 anos, fez sua primeira viagem internacional para Abu Dhabi, capital dos Emirados Árabes Unidos, para atuar como bailarina. “Meus planos eram passar os 3 meses de contrato nos Emirados, pra voltar falando inglês e continuar minha faculdade. Fazem 12 anos e ainda estou aqui, mas pelo menos aprendi inglês e árabe (risos)”, diz.

28870051_1830015157050111_7977926834929008640_oA bailarina viajou e trabalhou em diversos países árabes e hoje vive no Líbano com o marido, o cantor Fady Harb. O esforço e a coragem de encarar um país com uma cultura diferente, e viver longe da família renderam a Daiane uma trajetória de sucesso, mas nem tudo foi tão fácil no início. Tiveram momentos de indecisão, principalmente pela visão que as pessoas tinham em relação as Bellydancers. “Graças a Deus nunca sofri nenhum preconceito no início, normalmente digo que minha ignorância na época foi uma santa benção, pois se eu soubesse de tudo que eu precisava ter de conhecimento pra dançar para o público árabe, eu nunca teria embarcado do Brasil. Até hoje me sinto em constante aprendizado. Mas lembro de um aniversário que fiz em Oman, para um público libanês, e no final da festa um grupo de mulheres me convidaram pra sentar e tentaram me convencer a mudar de carreira, pois eu era uma menina muito “direita” pra ser bellydancer. Lembro que fiquei muito confusa na época e chateada por descobrir que tem pessoas que acham que bellydancer é alguém que não deu certo na vida e tenta a vida fácil. Por um bom tempo fiquei tentando criar algum projeto que mudasse a visão dessas pessoas, mas no fim só encontrei paz de espírito quando aceitei que não posso mudar a cabeça de ninguém, mas posso sim começar por mim mesma a acreditar no que eu faço, respeitar e acreditar que existem pessoas que apreciam a arte como eu”. comenta.

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Desde que passou a acreditar no seu trabalho, Daiane diz que sua carreira mudou de rumo, hoje é melhor remunerada, viaja diversos países fazendo shows em festas e eventos. A bailarina relembra que os gerentes de hotéis, onde também fazia shows, preferiam bailarinas estrangeiras, por conta do profissionalismo, e isso Daiane tem de sobra.

 

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Ela ainda dá dicas para bailarinas que pretendem seguir carreira internacional, garante que aperfeiçoar o improviso na dança é essencial. Normalmente os shows ocorrem em hotéis, restaurantes, e estar preparada para encarar públicos diferenciados também é importante. “Estude bem as músicas, mas lembre que cada banda pode tocar de uma forma diferente a mesma música, por isso o mais importante de uma bailarina é o ‘ouvido’. Com um bom ouvido não tem palco ou banda que ela não irá dominar. É importante também ser flexível e estar aberta a criar performances conforme o público. Mantenha um diário dos acontecimentos, me arrependo de não ter mantido um (risos).  Ás vezes lembro de coisas que eu mesma não acredito que aconteceram comigo. Valeu a pena pra mim, por que não seria para outra bailarina? Tudo depende do quanto você quer se dedicar, pois hoje em dia o mercado de dança está muito mais competitivo de que anos atrás, então exige mais da bailarina”, diz.

Falando dos planos para o futuros, Daiane diz que pretende continuar trabalhando no Líbano, realizar eventos esporádicos em outros países e futuramente atuar como professora de danças. Mas um dos seus maiores sonhos é divulgar o trabalho das bailarinas libanesas da última geração, “admiro muito”, diz. A bailarina pretende voltar ao Brasil somente a passeio, já que seu marido tem uma carreira consolidada no Líbano e morar no Brasil se torna inviável. “Também ainda não comecei minha família, mas quando tiver filhos gostaria de criá-los aqui no Líbano onde tem uma ótima educação e segurança”, comenta.

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Daiane, viveu uma experiência no início da sua carreira, e diz ter conseguido extrair seu lado positivo, amadureceu e hoje se considera uma mulher mais forte e feliz. A bailarina enfrentou um Câncer do Mediastino aos 20 anos de idade. “Sem dúvida sou mais feliz após o câncer e tenho muito orgulho de dizer que sou uma sobrevivente. Quando você aprende a tirar o lado positivo de algo tão desafiador você descobre muito de si. Posso dizer que o meu maior aprendizado foi o simples fato de aprender a dizer ‘não’, foi libertador, não posso agradar a todos, preciso escolher então o que me agrada. Um amadurecimento que normalmente acontece mais tarde pelos 30 anos da mulher, aconteceu mais cedo comigo. Mas ainda hoje quase 10 anos após o câncer ainda tenho momentos que preciso me chamar atenção e dize: Ei, cadê a guria que enfrentou um câncer??? Foi algo que me fortaleceu e até hoje é uma base para eu assimilar comigo mesma. Alias, há cinco meses operei uma hérnia de disco na coluna e as pessoas se impressionavam com minha certeza na recuperação. Afinal se um câncer não me parou, não vai ser uma hérnia que irá me para”, conclui.

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Fotos: Divulgação.

Por Renata Santana