Dança do Ventre é tema de pesquisa acadêmica

02/04/2018

A professora e bailarina de danças árabes Nina Nayad, é formada em História e está cursando mestrado em História Social na PUC-SP. Nina está aprofundando sua pesquisa sobre a dança do ventre com base em bibliografias sobre o período colonial do Oriente.

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Nina Nayad – Foto Divulgação

Nina iniciou seus estudos da dança do ventre em 2015, e pouco tempo depois passou a realizar cursos profissionalizantes para se aperfeiçoar ainda mais, e atualmente dá aulas em uma unidade da Escola de Danças Luxor. Também no ano de 2015, concluiu sua graduação em História e realizou curso técnico em Museologia, que segundo ela foi fundamental para o seu trabalho. “Abriu as primeiras portas para o contato com a história da arte”. Diz.

Os ritmos e as danças folclóricas sempre chamaram atenção de Nina quando iniciou suas aulas de danças árabes. “Eu queria muito saber mais sobre a história daquelas danças e ia pesquisando na internet e na biblioteca da faculdade sobre esses assuntos, mas sentia falta de coisas mais aprofundadas. Nessas pesquisas descobri mais sobre o período de colonização do Oriente, as suas consequências e as imagens que ele produziu. Descobri ainda que foi nesse período que a Dança árabe passou a se popularizar no Ocidente. Também nessa época me deparei com o trabalho incrível da Márcia Dib (Márcia é mestre em Cultura Árabe e referência quando se trata de música árabe no Brasil), com quem fiz um curso que me deu muitas ideias para o projeto de mestrado, e que se mantém como minha principal referência teórica. Diz Nina.

A bailarina passou a sentir que com o trabalho de pesquisa histórica poderia encontrar as respostas que procurava. “Tenho usado tanto ferramentas da história quanto da história da arte para fundamentar a pesquisa.  Uso muita bibliografia sobre o período colonial, teóricos que tratam da produção de discursos através de imagens e outros que falam especificamente sobre a dança e a Dança do Ventre. Citando alguns nomes bem presentes como: Edward Said, Marcia Dib, Frantz Fanon, Erwin Panofsky, Michel Foucault, Peter Burke, Eric Hobsbawm e Fatima Mernissi”, diz a bailarina.

Para Nina a dança do ventre ainda precisa ser muito explorada cientificamente, para além do trabalho corporal, e espera contribuir com as bailarinas, bailarinos e professores que estão sempre em busca de conhecimentos e, principalmente, ajudar a contextualizar um pouco mais essa dança que tanto fascina. “No campo acadêmico da História ainda temos poucos trabalhos sobre danças, então espero que ajude outros pesquisadores a desbravar o tema, principalmente com a metodologia e forma de análise”. Conclui.

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Nina Nayad – Foto Divulgação
Por Renata Santana