Festival internacional de danças orientais aconteceu neste final de semana em São Paulo

17/04/2018

O 24° Festival internacional de danças orientais “Mercado Persa”, aconteceu neste final de semana (13 a 15 de abril), em São Paulo. O evento foi no World Trade Center Events Center, na zona sul da cidade e contou com diversas apresentações, cursos, competições, shows, mostras, exposição, palestras e a presença de jurados respeitados no meio artístico da dança árabe durante todas as competições.

As inscrições para as competições foram desde o estilo clássico, folclórico até o estilo livre. Laudenice Souza, competiu na categoria livre com o grupo “Filhas de Kali”. O grupo de alunas da professora Karina Reddy, da escola de danças Mahira Hasan, trouxe ao evento uma coreografia que dá se o nome de “Bollywood”, homônimo da indústria de cinema indiano. “Eu já havia participado do Mercado Persa para assistir e não como concorrente, e a minha satisfação foi estar junto com as meninas, a gente já faz aulas há bastante tempo. Mostrar o trabalho da Karina também foi muito importante, e mostrar que a escola da Mahira tem essa modalidade que poucas pessoas conhecem.  Foi interessante porque as pessoas viam a gente vestida daquele jeito (figurino indiano) e perguntavam do que que era e quando que a gente ia dançar. Então valeu a pena por conta de tudo isso. Diz Nice. As meninas não estiveram entre as primeiras colocações, mas para Laudenice o mais importante foi mostrar o trabalho do grupo, que possuem integrantes que não são profissionais, mas muito dedicadas e talentosas.

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Da esquerda para direita: Úrsula, Nice, Karina e Adriana do Grupo “Filhas de Kali”- Foto: Equipe ADV

 

Crianças mostram que dançar não é brincadeira em competição

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Amanda Rodrigues e Daila Ferreira – Foto Divulgação.

O festival também conta com competição e mostras em categorias infantis. E dançar já é coisa séria para Daila Ferreira, a garotinha de Mauá, região do ABC paulista, faz aulas de dança do ventre há um ano e competiu pela primeira vez na categoria solo infantil de 6 a 8 anos. “A preocupação que eu tive com ela, foi a questão da competição em si, a gente nunca tem certeza se vai ganhar (risos), ela desta vez não obteve colocação, mas ela não ficou triste, estava preparada e sabia que o importante era participar, mas ela ficou muito contente, foi muito legal participar. diz a professora Amanda Rodrigues, que treinou Daila para a competição no Studio de Danças Andressa Carluche.

 

Competidora da Amazonas na Categoria Solo Livre

Ao que parece ser uma tarefa árdua, que é sair de Manaus sob um clima quente e percorrer para o sudeste, enfrentando cerca de 3 mil quilometros, foi o de menos para Ariane Coelho dos Santos, competidora que participa do festival desde 2011. Para Ariane o que vale mais a pena além de competir é toda a bagagem de conhecimentos que ela traz, cada vez que participa do evento. “A maior expectativa é fazer este intercâmbio, pois a gente consegue visualizar novas técnicas e metodologias da dança do ventre. Você consegue perceber que a dança do ventre tem diversas formas e características diferentes para cada região. O Mercado Persa além de ser um grande evento é uma grande escola, então pra nós de Manaus é um grande aprendizado. Para mim não é só competir, mas principalmente aprender, diz Ariane.

Ariane, concorreu na categoria solo livre, que é aberta a todos os estilos com exceção das danças árabes. A coreografia da bailarina trouxe a Amazonia como referência, o objetivo era abordar temas como preservação da natureza, conscientização e valorização da cultura. “O nome da coreografia é Fantástica Amazônia, então foi esta a proposta, vem no contexto de que eu sou a miscigenação da floresta com o homem, ou do homem com a floresta e eu posso ser os dois ao mesmo tempo. Na coreografia eu sou uma onça, e me transformo em uma índia guerreira guardiã da natureza. Depois de passar a mensagem de preservação e valorização da Amazônia, ela vem e termina a coreografia voltando a origem animal, a proposta é mostrar que o ser humano, a floresta, a fauna e a flora são um único ser”. Completa Ariane.

A Bailarina que se preparou para a competição desde o final do ano de 2017 e contou inclusive com ensaios de dança contemporânea para representar a sua coreografia, ficou em segundo lugar na categoria e está com muito orgulho em levar a medalha para a sua cidade. “Levar a cultura do norte para São Paulo me vestindo de índia em meio a tantos preconceitos é muito gratificante, trazer a nossa cultura e ser percebida e respeitada é mais do que gratitificante é honroso. Eu tive essa preocupação em não apresentar apenas uma coreografia, mas sim de transmitir a minha mensagem. Eu exalto a minha região com muito orgulho. Conclui.

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Ariane Coelho – Foto Reprodução Facebook

 

Por Renata Santana