Mamãe, vamos dançar?

28/04/18

Atividades feitas juntas unem mães e filhas. Na dança, as duas passam a reconhecer habilidades e admirar uma a nooutra.

Em alguns momentos da vida a relação mãe e filha podem ter períodos bem conflituoso. Mas há famílias que nem pensam nisso e quanto mais juntas tiverem melhor. E quando mãe e filha conseguem fazer atividades juntas, esta relação pode se tornar ainda melhor. Foi o que aconteceu com Sil Monteiro, ou Sahar, se preferir, nome que adotou ao ingressar na dança do ventre. Ela e sua mãe Fani Aparecida, de 61 anos, praticam a dança do ventre juntas há dez anos, e desde então uma se tornou fã da outra. Confira abaixo como começou esta história.

Há quanto tempo fizeram a primeira de aula de dança e quem tomou a iniciativa primeiro, você ou sua mãe?

Bom, minha primeira aula de dança do ventre foi com 16 anos mais ou menos. Fui com duas amigas assistir uma aula particular na casa de uma bailarina. Não deu muito certo, pois na hora em que fomos realizar os primeiros movimentos tivemos crise de riso. Mesmo eu achando legal, acabei não continuando. Uns dois anos depois minha mãe foi com a irmã dela numa escola de dança do ventre muito famosa e assistiram uma aula, porém acabaram não podendo continuar também. Um ano depois, em 2008, meu médico havia me recomendado iniciar alguma atividade física. Minha mãe lembrou da escola que ela havia ido com a minha tia e resolvemos ir lá. Eu tinha muita vergonha, mas como estávamos juntas, foi mais tranquilo e nos matriculamos.

Vocês se uniram mais, depois que começaram a fazer essa atividade juntas?

Acredito que a dança nos uniu mais sim. Mesmo já sendo muito próximas antes, passamos a dividir mais momentos, não só na sala de aula, mas também o caminho a pé até a escola, os eventos fora, ensaios em casa, além de começarmos a ter interesses, assuntos e amizades em comum.

Já faziam algum outro tipo de atividades juntas? E você passou a admirar as habilidades da sua mãe, e sabia que ela tinha essas habilidades?

Até então não tínhamos feito nenhuma atividade juntas. O legal era ter um incentivo durante a atividade. Minha mãe é minha maior fã e eu, dela (risos). Eu já conhecia o lado artístico da minha mãe. Sabia que na juventude ela tinha feito teatro, cantava, fazia danças afro. Ela sempre quis ser artista, mas era de uma época em que essa atividade não era bem vista. Cresci vendo ela dançando samba-rock nas festas de família e ela sempre me incentivou a ir pra esse lado da dança, eu que era teimosa e não queria (risos). Vê-la dançando uma coreografia foi algo novo e passei a admirar a força de vontade e o amor próprio que ela tem. Ela poderia ficar em casa, lamentando não ter realizado seu desejo de estar no palco, mas não, correu atrás da sua realização. Isso pra mim é muito inspirador.

Vocês já se apresentaram juntas? O que mudou na vida de vocês, com a dança?

Nós nos apresentamos juntas várias vezes, pois ficamos muitos anos nas mesmas turmas. Quatro meses depois de começarmos as aulas já estávamos no palco juntas, na nossa primeira coreografia. Foi muito divertido, a turma era muito unida, então foi inesquecível. Inclusive nessa turma havia outra mãe com sua filha. Era legal porque uma acabava ajudando a outra nos movimentos e inclusive na hora de se arrumar pra se apresentar. Minha mãe não só colocava alfinetes pra todas, como fazia ajustes nos meus figurinos, enquanto eu a ajudava na maquiagem. Cheguei a montar coreografias pra ela também, era uma experiência muito diferente. Depois disso dividimos muitos outros momentos no palco. Creio que muitas coisas mudaram pra nós. Desde a saúde física, a saúde mental, a sociabilidade. Ganhamos muitos amigos queridos, conhecemos lugares novos e ampliamos nossa percepção sobre diferentes culturas. Nossa proximidade foi outro ganho valioso. Especificamente pra mim, melhorei consideravelmente minhas relações sociais, fiquei bem menos tímida, arrisquei me expor de uma forma que nunca imaginei. Também descobri um amor pelas artes e ganhei uma profissão que me encanta muito.

E você, já chamou sua mãe para dançar hoje? Mas pode ser sua irmã, sua amiga, sua tia. A dança é bom pra todos.

Sahar
Sahar – Foto: Arquivo pessoal
Sahar e Fani
Sahar e Fani – Foto: Arquivo pessoal